quarta-feira, 9 de julho de 2014

Episódio desagradável e lamentável

A vegetação e os trilhos da pequena rota 7 (PR 7) de Arouca são maravilhosos. As paisagens e vistas panorâmicas enchem o ego de qualquer pessoa. E, no meio das muitas coisas boas, surge o episódio desagradável e lamentável.

Esse episódio, que falo, é a colocação de lixo  no chão e, mesmo, fazer da Natureza um caixote de resíduos. É incompreensível e triste deparar-nos com a presença de papéis, garrafas de plástico e de vidro e outros contaminadores do solo e meio ambiente fora dos lugares devidos.

Resíduos colocados no interior de um tronco

Garrafas de vidro penduradas numa árvore


Os exemplos acima apresentados evidenciam e comprovam o desleixo das pessoas que cometem tais actos. Ver lixo no interior de um tronco, perto da aldeia da Ribeira e junto ao rio Caima, e garrafas de vidro penduradas numa árvore, junto à ribeira de Cabaços e à zona de escalada, estraga o cenário natural e esplêndido do PR 7.

É para incentivar a evitar episódios desagradáveis e lamentáveis que retrato esta ocorrência. Aconselho os caminheiros e visitantes, que passem pela serra, a trazer sempre consigo um saco de lixo. Assim, tendo falta de caixotes para depositar os seus resíduos, podem transportar o lixo até avistar algum contentor. E, no fim, todas as pessoas podem usufruir de um meio livre e limpo.

Aventurem-se (com consciência)!

Um até já,

TS

terça-feira, 8 de julho de 2014

Nas Escarpas da Mizarela

Um trilho de pequena rota por caminhos montanhosos onde os desníveis acentuados são constantes e as paisagens agradáveis à vista. Hoje, dou a conhecer a PR 7 - Nas Escarpas da Mizarela - com oito km de altos e baixos, que podem ser percorridos em cerca de 3.30 horas.

Frecha da Mizarela avistada do miradouro


Ao começar, deixo algumas confidências a respeito das minhas visitas às escarpas Mizarela. Entre a estrada asfaltada, que liga o miradouro da Frecha à aldeia da Ribeira, e os pedregulhos das escarpas, é assim que tomo contacto com a PR 7. À época, 2011, o conhecimento de percursos pedestres era inexistente.

A PR 7 é uma prova de obstáculos constantes


Passado um ano, volto às escarpas. Mas, agora, para percorrer a rota na íntegra. Desde Janeiro de 2012, aquando da realização do Percurso do Carteiro, as pesquisas começaram e intensificaram e, até hoje, só parei nos períodos de chuva intensa. Todos os anos, visito a PR 7 pois nunca é demais fazê-lo. Acreditem!

A PR 7 inicia-se junto ao parque de campismo


Do Merujal à Mizarela são 1.2 km de distância


A PR 7 de Arouca tem início e fim junto ao parque de campismo do Merujal, na Serra da Freita. Daqui, seguimos para a Mizarela, que está a 1200 metros de distância. Atingida a etapa linear do percurso, passamos pelo miradouro da Mizarela e descemos pela estrada de acesso à aldeia da Ribeira. Uns 300 metros abaixo e viramos à esquerda, entrando mata adentro.

Caminho Certo

Vacas de raça arouquesa


Miradouro da Frecha da Mizarela
Maio de 2012

Miradouro da Frecha da Mizarela requalificado
Julho de 2014

A 300 metros do miradouro da Mizarela


A PR 7 é um trilho de elevado grau de dificuldade e, a partir do momento que percorremos as escarpas da rota, começamos a verificar e a confirmar isso. Contudo, este percurso é requisitado já que, para os caminheiros e turistas, as paisagens deslumbrantes afugentam a dureza dos caminhos das encostas. O correr das águas dos rios e o cantar dos pássaros ajudam a relaxar.

A percorrer as escarpas da Mizarela


Ao percorrer as escarpas da Mizarela, desvendamos pontos de grande interesse da Serra da Freita. Para começar, a extensa queda de água com mais de 60 metros de altura da Frecha da Mizarela. As águas que descem toda a encosta pertencem ao rio Caima, que nasce na aldeia de Albergaria da Serra, um pouco acima da Mizarela.

Frecha da Mizarela
Maio 2012


O rio Caima despenha-se das escarpas da Mizarela e segue caminho até à Ribeira. Nós, FJD e TS, também descemos até a esse lugar só que entre um sobe e desce de pedras. Atingida a ponte da aldeia, atravessamos o rio e seguimos para Cabaços. Já o Caima deixa-nos e desce para o município de Vale de Cambra. Passa, depois, por Oliveira de Azeméis e termina o seu curso nas águas do Vouga, em Sernadas, Alvergaria-a-Velha.

Aldeia da Ribeira

Puccias segue-nos a partir da Ribeira
Maio de 2012

Seguir a direcção de Cabaços


Deixada a Ribeira, uma aldeia secular da freguesia de Albergaria da Serra, começamos a subir a encosta da Ribeira da Castanheira. A queda de água da ribeira é outra maravilha da PR 7, sendo que fazemos a travessia da mesma por uma ponte de madeira, à semelhança da encontrada na aldeia da Ribeira sobre o Caima. Avistamos, ao longe, a aldeia da Castanheira. Mas seguimos para a zona dos Cabaços da escola de escalada da Freita, passando pelo ribeiro de Cabaços.

A ribeira da Castanheira desagua no rio Caima
Maio de 2012

Vista para a aldeia da Castanheira

A zona dos Cabaços, exposta a sul e sem árvores, é óptima para a prática de escalada em qualquer época do ano. E é bem junto a esta zona que a PR 7 - Nas Escarpas da Mizarela - passa antes de chegar a estrada asfaltada de acesso à freguesia de Albergaria da Serra. Outras zonas da escola de escalada da Freita ficam situadas perto do parque de campismo do Merujal e da Senhora da Lage.

Aula de escalada na zona de Cabaços
Junho de 2013

Placa com as zonas da escola de escalada da Freita
Julho 2014


Está quase concluído o percurso, mas faço uma pausa na travessia do ribeiro de Cabaços. Este local faz-me recordar o Puccias, um cão baptizado por nós, FJD e TS, em 2012, quando pela primeira vez percorremos na íntegra a PR 7. Ele seguiu-nos da aldeia da Ribeira até ao final do trilho, no Merujal, e pregou-nos uma grande partida no ribeiro em questão. Nesse momento, pensei que ia dizer adeus à minha máquina digital.

Geossítio 4 -  Marmitas de Gigante

Geossítio 5 - Contacto Litológico da Mizarela

Geossítio 6 - Miradouro da Frecha da Mizarela


Em Cabaços, atingimos a estrada de asfalto e caminhamos nela até à Mizarela, onde retomamos o caminho de acesso ao parque de campismo do Merujal. E, antes do regresso, dar atenção aos três dos 41 geossítios de Arouca que encontramos no caminho asfaltado. As Marmitas Gigantes, o Contacto Litológico da Mizarela e o Miradouro da Frecha da Mizarela, este último já referido acima.

PR 7 - Nas Escarpas da Mizarela


É com os locais de interesse geológico da PR 7 que despeço-me, prometendo voltar com um novo desafio, caminhada e passeio por caminhos tradicionais, rurais, florestais e/ou montanhosos. Deixo, ainda, uma compilação de fotografias de 2012, 2013 e 2014. Paisagens e pormenores registados (ver acima fotogaleria) ao percorrer a sétima rota do concelho de Arouca.

Aventurem-se!

Um até já,

TS

sábado, 5 de julho de 2014

Percurso do Carteiro

A manhã e princípio de tarde, de hoje, são dedicadas a percorrer a PR 6 - Percurso do Carteiro - de Arouca e a desvendar os seus encantos esplêndidos. O relógio do carro indica 8 horas à chegada a Rio de Frades. Daqui, partimos a pé, passados 10 minutos, rumo a Cabreiros que fica a 3.3 km de distância. 

Aldeia de Rio de Frades


O Percurso do Carteiro é uma pequena rota linear de 6 km que, uma vez feita em travessia, faz os caminheiros contarem o dobro dos quilómetros, tendo em conta a ida e a volta. Aqui, marco o início na aldeia de Rio de Frades, mas, se preferirem, podem iniciar a caminhada em Tebilhão, o outro extremo da PR 6. 

Placa informativa junto à capela de Rio de Frades

Capela de Rio de Frades


Como referi no post anterior, o nível de dificuldade da rota número 6 de Arouca é elevado. Mas, a meu ver, este percurso pedestre é dos mais gratificantes do concelho. Isto, sem fazer qualquer classificação pois todos têm a sua particularidade e maravilhas. Mas, hoje, andamos à procura do carteiro na companhia do canto das aves e do correr da água dos rios (ver abaixo fotogaleria).

PR 6 - Percurso do Carteiro


600 metros percorridos


Todavia, antes de caminhar encosta acima, faço-vos um apanhado histórico. A história diz que, aquando a extinção das Ordens Religiosas na época pombalina, a povoação de Rio de Frades é fundada por frades jesuítas. Daí a origem do nome atribuído ao lugar. Mais tarde, no período da II Grande Guerra, a aldeia abre portas aos alemães que instalam um centro de exploração mineira de volfrâmio.

Ruínas das instalações do centro mineiro

Poste de luz que data de 1971

Ruína de em edifício junto às bocas das minas


É importante falar de outrora pois, nos primeiros quilómetros, encontramos várias minas e ruínas das construções do centro mineiro. Ainda é possível ver as bocas feitas nas encostas abertas. Uma das minas pode mesmo ser atravessada, por quem achar-se capaz, e vale a pena abandonar o medo pois do outro lado as águas límpidas do rio de Frades dão as boas-vindas.

Rio de Frades


Passadas as bocas das minas, o ribeiro Pequenino espera-nos e, atravessada a ponte que vê correr as águas do afluente do Frades, começamos a subir com determinação. O caminho é quem exige e fica a recomendação para que olhem para trás quando atingirem o topo da encosta montanhosa. Isso acontece com a chegada a Cabreiros, uma freguesia estendida do amplo planalto da Serra da Freita ao apertado Vale de Frades.

Ribeiro Pequenino

Águas do ribeiro

Ponte sobre o ribeiro Pequenino


No momento do regresso, temos oportunidade de admirar toda a paisagem deixada atrás das costas. Por isso, vale a pena o esforço alcançado até Cabreiros, Cando e Tebilhão. As aldeias evidenciam a vida rural muito patente na região. Eiras, palheiros, canastros, símbolos religiosos, caminhos antigos e calçadas estreitas são parte do que encontramos com o findar da rota.

A 300 metros da chegada a Cabreiros

Edifício da antiga escola primária requalificado

Cabreiros à vista

A PR 6 encontra a GR 28 em Cabreiros

A 2 km da aldeia de Tebilhão

Chapéu pousado no muro de um terreno agrícola

Símbolo da religiosidade local

Lugar de Tebilhão

Fim do percurso junto à estrada asfaltada em Tebilhão


Os 6 quilómetros ficam completos assim que atingimos a estrada asfaltada em Tebilhão, a poucos metros do largo da capela de Santa Bárbara. Um local óptimo para parar e descansar, por breves instantes, antes de fazer, de novo, a PR 6. Só que, agora, de Tebilhão a Rio de Frades, os  caminheiros descem e descem, podendo usufruir melhor das paisagens.

Placa informativa junto à estrada

A caminho da capela de Santa Bárbara

Placa informativa no largo de Stª Bárbara

Capela de Santa Bárbara

A rota do Carteiro é, hoje, marcada por um dia excelente para a prática de caminhada. O sol abrilhanta o início da manhã e, à medida que avançamos para Cabreiros, o nevoeiro surge e sobe a montanha connosco. Na hora da despedida de Tebilhão, o tempo ainda está encoberto, mas descemos para Cabreiros e, depois, para Rio de Frades e o sol volta à nossa companhia.

A caminho de Cabreiros

Pequenino e Frades possibilitam a prática de Canyoning


À saída de Cabreiros

Regresso a Rio de Frades por caminhos montanhosos


Montanhas e vales de Frades


Em jeito de despedida, recordo o trajecto das formigas que admirei esta manhã. Elas descem toda uma encosta à procura de alimento e, assim que o alcançam, sobem elas carregadas a mesma encosta. E é a pensar no esforço físico das formigas, que ganho forças e vontade de fazer mais e mais pois precisamos descer para conseguir subir.

Aventurem-se!

Um até já,

TS