quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Trilho de Santa Maria das Júnias

O Trilho de Santa Maria das Júnias é um percurso pedestre circular com 4 km de extensão e uma hora e meia de duração, como está inscrito numa placa local. Esta rota dá a conhecer a aldeia de Pitões das Júnias do concelho de Montalegre, o Mosteiro de Santa Maria e paisagens grandiosas da serra.

Placa informativa do percurso pedestre


Integrada no Parque Nacional da Peneda Gerês, a aldeia de Pitões das Júnias vê a população aumentar  no Verão. Emigrantes e turistas chegam atraídos pelo sossego da serra, pelas paisagens encantadoras e pela história. Dizem os ditos populares que a Nossa Senhora apareceu a um caçador, onde está situado o mosteiro recuperado, e pediu-lhe que fundasse a aldeia.

Aldeia de Pitões das Júnias


Os caminheiros e/ou visitantes encontram, perto de uma capela local, uma placa informativa do Trilho de Santa Maria das Júnias. E, a partir daí, é só seguir as indicações das marcas amarelas e vermelhas inscritas em pedras, árvores, etc. A grande atracção do percurso e da aldeia é o mosteiro e ruínas, junto do ribeiro do Campesinho. E é para lá que seguimos.

Capela local


Depois de deixar a estrada asfaltada de acesso à aldeia de Pitões das Júnias, esbarramos com uma calçada de paralelos e uma descida íngreme. Mas, até ao mosteiro, ainda temos de descer mais e mais por um caminho carregado de pedras. Eis que avistamos o Mosteiro de Santa Maria, uma construção medieval beneditina mais tarde ocupada pelos monges de Cister.

Indicação de direcção para o mosteiro e para a cascata


Aviso "Proibido Acampar"


Mosteiro e ruínas à vista



A paisagem que envolve a aldeia de Pitões das Júnias é magnífica e quem dá corda ao sapato e desce até ao ribeiro do Campesinho fica encantado com o todo que envolve o mosteiro e as ruínas. Uma vista de cortar a respiração. O vale é apertado, o rio é estreito e ouve-se o correr da sua água e o canto de algumas aves. 

Ruínas


Aviso de "Risco de desabamento"


Ruínas


Devido ao "risco de desabamento", as ruínas devem ser visitadas com cautela já que as estruturas que mantêm-se erguidas são instáveis. Quanto à Igreja e cemitério adjacente, têm o acesso interdito ao público e, sendo assim, a parte exterior do edifício é que pode ser admirada. 

Igreja do Mosteiro de Santa Maria de Pitões das Júnias


Bem, o que posso dizer mais de Pitões de Júnias? Os motivos de atracção são o mosteiro, o ribeiro do Campesinho, a serra que abraça a aldeia, as paisagens e as histórias da terra. E, se ainda estão com dúvidas, a tudo isto podem acrescentar uma visita ao forno comunitário e ao centro interpretativo.

Centro Interpretativo do Planalto da Mourela


"Pitões das Júnias: aldeia pastoril no rebordo da Mourela"


Aqui, deixo mais uma sugestão de caminhada e passeio por terras de Montalegre. E, como as férias terminaram, muito fica ainda por descobrir. Por isso, espero um dia voltar para mais conhecer e quem sabe ter a possibilidade de rever locais visitados. 

Aventurem-se e bons passeios!

Um até já,

TS

sábado, 6 de setembro de 2014

Rota do Contrabando Tourém - Randín

As férias são boas, mas passam rápido. Todos queixam-se do mesmo mal e a verdade é que, no período de pausa do trabalho, o relógio parece não mais parar. São tantas as coisas para fazer, tantos locais para visitar e, no fim, falta ter mais tempo para descansar. Recantos de Montalegre e do Parque Nacional da Peneda Gerês são o que trago na mala para confidenciar convosco, no Pé ante pé.

Rota do Contrabando Tourém - Randín


O meu tempo de descanso expirou e deixo, hoje, uma descrição da Rota do Contrabando da Rede de Percursos Pedestres de Montalegre (MTR). Uma rota circular de 11 km entre as aldeias de Tourém (Portugal) e Randín (Espanha), que dá a conhecer os trilhos usados pelos contrabandistas da região e as paisagens magníficas em torno da albufeira do rio Sallas.

Palavra 'Tourém' inscrita numa pedra à entrada da aldeia


A Rota do Contrabando Tourém - Randín é a sexta pequena rota (PR 6) da Rede de Percursos Pedestres do concelho de Montalegre e está integrada no Parque Nacional da Peneda Gerês. O percurso faz a ligação entre as aldeias raianas de Tourém e Randín, que, mesmo uma localidade sendo portuguesa e outra espanhola, têm vivências comuns. Um exemplo disso é o contrabando que, noutros tempos, era uma prática recorrente.

A PR 6 tem início e fim no Largo do Outeiro


Placa informativa da Rota do Contrabando


Placa de início da PR 6 (MTR)


Ao chegar a Tourém, é fácil dar com o Largo do Outeiro onde tem início e fim a PR 6 (MTR) - Rota do Contrabando. São várias as ruas antigas de paralelos, mas não há que enganar. No largo, avistamos duas placas alusivas ao percurso e uma certa movimentação matinal. Uma criança joga à bola, habitantes trocam palavras, a mercearia chega numa carrinha e vêem-se alguns forasteiros.

Aldeia de Tourém


Inicia-se, então, a rota de 11 km em direcção ao pólo do Ecomuseu local, que fica a 200 metros do Largo do Outeiro. Os primeiros passos são dados, em torno da aldeia de Tourém, pelas calçadas antigas de paralelos. Passa-se junto do forno comunitário, inteiramente construído de pedra, que, outrora, era um espaço de todos para todos. Hoje em dia, está inactivo, mas é um edifício que merece uma visita de quem por lá passa.

Pólo do Ecomuseu de Tourém


Tourém oferece três trilhos aos caminheiros


Forno comunitário de Tourém


Água a correr sobre as aromas


Escola primária de Tourém


Ao chegar ao pólo do ecomuseu, os caminheiros deparam-se com placas informativas que indicam a existência de três percursos: a Rota do Contrabando de 11 km, o Trilho da Costa de 3 km e o Trilho das Aves de 1.5 km. Portanto, quem visitar Tourém tem actividades garantidas e a Casa dos Bragança para descansar e pernoitar. A casa referida funciona com turismo de habitação e nela ainda é possível ver um esconderijo dos refugiados da guerra civil espanhola.



Depois de passar pela escola primária de Tourém, a povoação fica para trás e é tempo de mergulhar por caminhos rurais e florestais em direcção à fronteira. A Rota do Contrabando tem um nível de dificuldade médio e, com o qual, concordo já que o terreno do percurso nem sempre é regular. Esta percurso lembra o contrabando de produtos e a solidariedade estabelecida entre Espanha e Portugal pois Tourém foi, durante a guerra civil espanhola, um refúgio de 'nuestros hermanos'.


Vista panorâmica sobre Randín em territorial português 


Marca amarela e vermelha de orientação da PR 6


Tourém foi e é a sala de visita de Montalegre pois é a terra mais visitada pelos galegos. Esta informação está patente no folheto informativo da PR 6 - Rota do Contrabando - e muito mais. Basta os curiosos e aventureiros saírem de casa rumo às terras de Montalegre para descobrir os recantos e encantos deste concelho do norte de Portugal.

Marco territorial 103 a indicar de um lado é Portugal e...


... e de outro lado da fronteira é Espanha


Atingido o marco territorial número 103, os caminheiros seguem as indicações do 'camiño privilexiado' até a aldeia de Randín. Este caminho "unía o Couto Mixto con Portugal e tiña unha extensión de 7.290 m", lê-se numa placa informativa junto à estrada asfaltada de acesso a Randín. Agora em português, a função do caminho privilegiado tinha um carácter comercial e a ideia é que nenhuma pessoa ou mercadoria fosse capturada pelas autoridades, quer espanholas quer portuguesas.

Placa de orientação do 'Camiño Privilexiado'


Seguir em frente 


Virar à direita


Estas pinhas são espanholas


Travessia de um riacho


Placa informativa do 'Camiño Privilexiado'


Ao chegar a Randín, o 'camiño privilexiado' é deixado de lado pois segue para Santiago de Compostela. Depois de algumas voltas no labirinto que é esta aldeia espanhola, as ruas estreitas dão lugar à estrada principal onde encontra-se a próxima paragem: a capela de San António. Neste ponto, os caminheiros avistam a aldeia portuguesa de Tourém e podem usufruir do parque de merendas muito convidativo a uma paragem para almoçar, lanchar e/ou descansar um pouco.

Igreja e cemitério da aldeia de Randín


Fonte encontrada na aldeia de Randín


O espanhol presente a cada passo dado


Um exemplar de um canastro espanhol


Paragem de autocarro em Randín


Randín é uma aldeia rural muito semelhante às aldeias fronteiriças de Portugal. Muitas das construções são de pedra e os habitantes locais juntam-se na rua para tirar alguns dedos de conversa e ver os forasteiros que chegam, passam e dizem até uma próxima. As placas informativas, os telhados das paragens de autocarro e dos canastros e o falar das pessoas são os pormenores diferenciados que saltam à vista entre Randín de Tourém.

Na saída de Randín com o San António à esquerda


Depois de estar a Randín, conseguimos perceber que, nos dias de hoje, é uma aldeia dedicada à agricultura e ao comércio. No fundo, é semelhante a Tourém pois também, noutros tempos, as duas localidades dedicavam-se ao contrabando. Os portugueses adquiriam produtos como o bacalhau, azeite, bananas e tecidos por serem bens essenciais que eram mais baratos no território vizinho. Por sua vez, os espanhóis queriam sobretudo tabaco e café.

Parque de merendas repleto de carvalhos antigos


Pormenor de um carvalho antigo


Aldeia de Tourém avistada do parque de San António


Fonte e churrasqueira do parque


A fonte a servir de sistema de rega para um carvalho


Capela de San António


A pequena pausa no parque de merendas termina e a capela de San António fica para trás. Seguimos caminho pela estrada asfaltada em direcção ao rio Sallas e, depois de atravessar o rio e andar uns metros, viramos à esquerda, tomando um trilho florestal. A partir daqui, acompanhamos o Sallas e admiramos a sua albufeira até Tourém. Os caminheiros são abrilhantados com paisagens magníficas.

Estrada espanhola OU-303 km 3


Travessia do río Salas na OU-303


Rio Sallas e paisagem envolvente


Caminho florestal que acompanha o Sallas


Rio Sallas e paisagem envolvente


Aldeia de Tourém à vista


A pé com a companhia do Sallas


Caminho certo


Albufeira do Sallas


Sempre na companhia do correr suave das águas do Sallas, eis que chegamos a Tourém e fazemos uma segunda travessia sobre o rio. Este último troço do percurso é maravilhoso. Ver as nuvens do céu reflectidas nas águas paradas da albufeira do Sallas é algo inexplicável de tão belo que é. E a isto junta-se o verde da paisagem e é de ficar sem palavras, deixando-se mergulhar no sossego sentido.

Ponte sobre a albufeira do Sallas


Ponte em Tourém de acesso a Espanha


Placa informativa à entrada da ponte


Albufeira do Sallas


A aldeia de Tourém vive sobretudo da agricultura e quem visita esta localidade portuguesa constata isso com muita facilidade. A existência de campos cultivados e a pastagem de animais são exemplos da intensa vida rural. E, já quase na recta final, fica a dica de que visitem Portugal, as suas terras e gentes pois há muito para descobrir. Em concreto, a sugestão de hoje é Tourém e as razões já estão enumeradas acima.

Habitante local com o seu rebanho


Travessia sobre a albufeira do Sallas


Placa informativa junto ao Largo do Outeiro


Varanda decorada com espigas de milho


Assim que atingimos o Largo do Outeiro e admiramos uma varanda de uma casa local, por esta estar inteiramente decorada com espigas de milho, é sinal que finalizamos a PR 6 - Rota do Contrabando de Tourém. Para trás, 11 km de pegadas e três horas mais meia ao sabor de belas paisagens e de momentos de tranquilidade. Sem dúvida, a visitar...

Aventurem-se!

Um até já,

TS