sábado, 6 de setembro de 2014

Rota do Contrabando Tourém - Randín

As férias são boas, mas passam rápido. Todos queixam-se do mesmo mal e a verdade é que, no período de pausa do trabalho, o relógio parece não mais parar. São tantas as coisas para fazer, tantos locais para visitar e, no fim, falta ter mais tempo para descansar. Recantos de Montalegre e do Parque Nacional da Peneda Gerês são o que trago na mala para confidenciar convosco, no Pé ante pé.

Rota do Contrabando Tourém - Randín


O meu tempo de descanso expirou e deixo, hoje, uma descrição da Rota do Contrabando da Rede de Percursos Pedestres de Montalegre (MTR). Uma rota circular de 11 km entre as aldeias de Tourém (Portugal) e Randín (Espanha), que dá a conhecer os trilhos usados pelos contrabandistas da região e as paisagens magníficas em torno da albufeira do rio Sallas.

Palavra 'Tourém' inscrita numa pedra à entrada da aldeia


A Rota do Contrabando Tourém - Randín é a sexta pequena rota (PR 6) da Rede de Percursos Pedestres do concelho de Montalegre e está integrada no Parque Nacional da Peneda Gerês. O percurso faz a ligação entre as aldeias raianas de Tourém e Randín, que, mesmo uma localidade sendo portuguesa e outra espanhola, têm vivências comuns. Um exemplo disso é o contrabando que, noutros tempos, era uma prática recorrente.

A PR 6 tem início e fim no Largo do Outeiro


Placa informativa da Rota do Contrabando


Placa de início da PR 6 (MTR)


Ao chegar a Tourém, é fácil dar com o Largo do Outeiro onde tem início e fim a PR 6 (MTR) - Rota do Contrabando. São várias as ruas antigas de paralelos, mas não há que enganar. No largo, avistamos duas placas alusivas ao percurso e uma certa movimentação matinal. Uma criança joga à bola, habitantes trocam palavras, a mercearia chega numa carrinha e vêem-se alguns forasteiros.

Aldeia de Tourém


Inicia-se, então, a rota de 11 km em direcção ao pólo do Ecomuseu local, que fica a 200 metros do Largo do Outeiro. Os primeiros passos são dados, em torno da aldeia de Tourém, pelas calçadas antigas de paralelos. Passa-se junto do forno comunitário, inteiramente construído de pedra, que, outrora, era um espaço de todos para todos. Hoje em dia, está inactivo, mas é um edifício que merece uma visita de quem por lá passa.

Pólo do Ecomuseu de Tourém


Tourém oferece três trilhos aos caminheiros


Forno comunitário de Tourém


Água a correr sobre as aromas


Escola primária de Tourém


Ao chegar ao pólo do ecomuseu, os caminheiros deparam-se com placas informativas que indicam a existência de três percursos: a Rota do Contrabando de 11 km, o Trilho da Costa de 3 km e o Trilho das Aves de 1.5 km. Portanto, quem visitar Tourém tem actividades garantidas e a Casa dos Bragança para descansar e pernoitar. A casa referida funciona com turismo de habitação e nela ainda é possível ver um esconderijo dos refugiados da guerra civil espanhola.



Depois de passar pela escola primária de Tourém, a povoação fica para trás e é tempo de mergulhar por caminhos rurais e florestais em direcção à fronteira. A Rota do Contrabando tem um nível de dificuldade médio e, com o qual, concordo já que o terreno do percurso nem sempre é regular. Esta percurso lembra o contrabando de produtos e a solidariedade estabelecida entre Espanha e Portugal pois Tourém foi, durante a guerra civil espanhola, um refúgio de 'nuestros hermanos'.


Vista panorâmica sobre Randín em territorial português 


Marca amarela e vermelha de orientação da PR 6


Tourém foi e é a sala de visita de Montalegre pois é a terra mais visitada pelos galegos. Esta informação está patente no folheto informativo da PR 6 - Rota do Contrabando - e muito mais. Basta os curiosos e aventureiros saírem de casa rumo às terras de Montalegre para descobrir os recantos e encantos deste concelho do norte de Portugal.

Marco territorial 103 a indicar de um lado é Portugal e...


... e de outro lado da fronteira é Espanha


Atingido o marco territorial número 103, os caminheiros seguem as indicações do 'camiño privilexiado' até a aldeia de Randín. Este caminho "unía o Couto Mixto con Portugal e tiña unha extensión de 7.290 m", lê-se numa placa informativa junto à estrada asfaltada de acesso a Randín. Agora em português, a função do caminho privilegiado tinha um carácter comercial e a ideia é que nenhuma pessoa ou mercadoria fosse capturada pelas autoridades, quer espanholas quer portuguesas.

Placa de orientação do 'Camiño Privilexiado'


Seguir em frente 


Virar à direita


Estas pinhas são espanholas


Travessia de um riacho


Placa informativa do 'Camiño Privilexiado'


Ao chegar a Randín, o 'camiño privilexiado' é deixado de lado pois segue para Santiago de Compostela. Depois de algumas voltas no labirinto que é esta aldeia espanhola, as ruas estreitas dão lugar à estrada principal onde encontra-se a próxima paragem: a capela de San António. Neste ponto, os caminheiros avistam a aldeia portuguesa de Tourém e podem usufruir do parque de merendas muito convidativo a uma paragem para almoçar, lanchar e/ou descansar um pouco.

Igreja e cemitério da aldeia de Randín


Fonte encontrada na aldeia de Randín


O espanhol presente a cada passo dado


Um exemplar de um canastro espanhol


Paragem de autocarro em Randín


Randín é uma aldeia rural muito semelhante às aldeias fronteiriças de Portugal. Muitas das construções são de pedra e os habitantes locais juntam-se na rua para tirar alguns dedos de conversa e ver os forasteiros que chegam, passam e dizem até uma próxima. As placas informativas, os telhados das paragens de autocarro e dos canastros e o falar das pessoas são os pormenores diferenciados que saltam à vista entre Randín de Tourém.

Na saída de Randín com o San António à esquerda


Depois de estar a Randín, conseguimos perceber que, nos dias de hoje, é uma aldeia dedicada à agricultura e ao comércio. No fundo, é semelhante a Tourém pois também, noutros tempos, as duas localidades dedicavam-se ao contrabando. Os portugueses adquiriam produtos como o bacalhau, azeite, bananas e tecidos por serem bens essenciais que eram mais baratos no território vizinho. Por sua vez, os espanhóis queriam sobretudo tabaco e café.

Parque de merendas repleto de carvalhos antigos


Pormenor de um carvalho antigo


Aldeia de Tourém avistada do parque de San António


Fonte e churrasqueira do parque


A fonte a servir de sistema de rega para um carvalho


Capela de San António


A pequena pausa no parque de merendas termina e a capela de San António fica para trás. Seguimos caminho pela estrada asfaltada em direcção ao rio Sallas e, depois de atravessar o rio e andar uns metros, viramos à esquerda, tomando um trilho florestal. A partir daqui, acompanhamos o Sallas e admiramos a sua albufeira até Tourém. Os caminheiros são abrilhantados com paisagens magníficas.

Estrada espanhola OU-303 km 3


Travessia do río Salas na OU-303


Rio Sallas e paisagem envolvente


Caminho florestal que acompanha o Sallas


Rio Sallas e paisagem envolvente


Aldeia de Tourém à vista


A pé com a companhia do Sallas


Caminho certo


Albufeira do Sallas


Sempre na companhia do correr suave das águas do Sallas, eis que chegamos a Tourém e fazemos uma segunda travessia sobre o rio. Este último troço do percurso é maravilhoso. Ver as nuvens do céu reflectidas nas águas paradas da albufeira do Sallas é algo inexplicável de tão belo que é. E a isto junta-se o verde da paisagem e é de ficar sem palavras, deixando-se mergulhar no sossego sentido.

Ponte sobre a albufeira do Sallas


Ponte em Tourém de acesso a Espanha


Placa informativa à entrada da ponte


Albufeira do Sallas


A aldeia de Tourém vive sobretudo da agricultura e quem visita esta localidade portuguesa constata isso com muita facilidade. A existência de campos cultivados e a pastagem de animais são exemplos da intensa vida rural. E, já quase na recta final, fica a dica de que visitem Portugal, as suas terras e gentes pois há muito para descobrir. Em concreto, a sugestão de hoje é Tourém e as razões já estão enumeradas acima.

Habitante local com o seu rebanho


Travessia sobre a albufeira do Sallas


Placa informativa junto ao Largo do Outeiro


Varanda decorada com espigas de milho


Assim que atingimos o Largo do Outeiro e admiramos uma varanda de uma casa local, por esta estar inteiramente decorada com espigas de milho, é sinal que finalizamos a PR 6 - Rota do Contrabando de Tourém. Para trás, 11 km de pegadas e três horas mais meia ao sabor de belas paisagens e de momentos de tranquilidade. Sem dúvida, a visitar...

Aventurem-se!

Um até já,

TS


domingo, 24 de agosto de 2014

Registos da agradável surpresa

As férias acabam para uns e para outros começam. As minhas continuam e deixo, aqui, alguns registos tirados ao longo de um passeio pelos passadiços de madeira de Fiães e da Corga do Lobão. Uma agradável surpresa que apresentei, no 'Pé ante pé', a 10 de Agosto.

Passadiço de madeira e meio envolvente


Ponte de madeira sobre o rio Uíma


Inscrição junto à ponte da vila de Lobão


Rio Uíma de passagem pela vila de Lobão


Pormenor de um tronco


Heras


Flor desconhecida

Flor desconhecida


Estrada Nacional 326


Indicação da existência de um moinho


Passadiço e áreas pantanosas


Flor desconhecida


Passadiço envolvido de árvores e sombra


Torre para avistar espécies de aves e de plantas


Seta amarela de orientação fora dos passadiços


Pormenor de um passadiço


Amoras


Existência de campos cultivados junto aos passadiços


Banco de madeira


Caminho de acesso a uma povoação


Barbas de milho


Mini-ginásio junto à EN-326


O Parque das Ribeiras do Uíma, localizado entre as povoações de Fiães e Lobão, é um local constituído por uma extensa área de bosque com amieiros e salgueiros. O mini-ginásio e os passadiços de madeira construídos, numa extensão de 2.5 km, proporcionam aos habitantes e forasteiros conhecer a Bacia Hidrográfica do rio Uíma.

Aventurem-se e bons passeios!

Um até já,

TS

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Amanhã é dia de romaria

O 15 de Agosto é dia de romaria até à Nossa Senhora da Saúde. Muitas são as localidades que celebram a data e, na região de Entre Douro e Vouga, as pessoas rumam a Vale de Cambra. E, seja por trilhos antigos ou pela estrada de asfalto, cumprem-se promessas e vivem-se verdadeiros momentos de convívio.


Chegada à cidade de Vale de Cambra


Passagem sobre o rio Caima


Igreja Matriz de S. Pedro de Castelões


Ao chegar a localidade de S. Pedro de Castelões, os romeiros podem optar por subir até ao Santuário da Nossa Senhora da Saúde pela estrada de asfalto ou, então, seguir pelos caminhos antigos. Quanto a segunda alternativa, refiro-me a PR 2 - À N. Srª da Saúde por caminhos de antigamente - do concelho de Vale de Cambra.

Fases do amadurecimento das amoras


Muitas são as pessoas que rumam à Srª da Saúde


Romaria à Nossa Srª da Saúde


Videiras carregadas de cachos de uvas


Marcas de orientação da PR 1


À chegada ao largo da festa


Capela da Nossa Srª da Saúde 


Acima, apresento alguns registos da romaria do ano passado. Saída de Escariz às cinco da manhã e chegada ao Santuário da Nossa Senhora da Saúde às nove horas. Amanhã, o dia começa às três e, ainda, sem horário de conclusão.

Bons passeios e romarias!

Um até já,

TS


domingo, 10 de agosto de 2014

Passadiços unem freguesias da Feira

Uma agradável surpresa é o que tenho para dar a conhecer a quem visita o 'Pé ante pé'. Sempre que viajo de carro para os lados do Porto, faço-o pela EN-326 que liga Arouca a Lourosa, passando por vários lugares e freguesias do concelho de Santa Maria da Feira. E, nos últimos tempos, uns passadiços atraíram a minha atenção e, hoje de manhã, tirei os tira-teimas.

Passadiços envolvidos por arvoredos e áreas pantanosas


Passadiços de madeira, construídos pela Câmara Municipal da Feira, unem áreas pantanosas e de vasto arvoredo das localidades de Fiães e da Corga do Lobão. A meu ver, uma grande iniciativa para promoção da actividade física e conservação da Natureza, já que o percurso é realizado ao longo das margens do rio Uíma. E há mais! As pessoas têm, junto à EN-326, um mini-ginásio ao ar livre.

Seta orientadora fora dos passadiços


Durante uma caminhada ou corrida, as pessoas podem desfrutar do ar puro, da sombra proporcionada pela vegetação e é-lhes possível avistar espécies de aves e de plantas de uma torre, criada para esse efeito. Existem ainda setas amarelas, marcadas nas saídas e/ou entradas dos passadiços e nas estradas locais de asfalto, que permitem conhecer trilhos florestais e povoações. 

Sem dúvida, uma agradável surpresa, não acham? 

Boas férias e bons passeios!

Um até já,

TS