sábado, 17 de dezembro de 2016

Geossítios e Rota do Xisto

O sétimo passeio pela Rota dos Geossítios é o relato de uma segunda e nova experiência pelos trilhos da Rota do Xisto. Um percurso pedestre com cerca de 16 km que o Pé ante pé conjuga com uma miragem sobre sete fenómenos geológicos de Arouca. Uma caminhada manchada pelos vestígios do incêndio voraz de Agosto passado e tentadora pelos encantos de Canelas.

AVENTUREM-SE!


Quase a findar o ano e um ciclo de oito passeios pela Rota dos Geossítios, o Pé ante pé regressa a Canelas. O objectivo é desvendar a colecção de fósseis do Museu das Trilobites (G25), a Glaciação Ordovícica (G26), o Afloramento do Silúrico inferior (G27), o Conglomerado do Carbónico (G28), a Gralheira d' Água (G29), os Icnofósseis da área de Vilarinho (G34) e a Cascata das Aguieiras (G35).

Início da Rota do Xisto em direcção ao CIGC


Faz-se um pequeno desvio para beber água na fonte


Vestígios do incêndio de Agosto passado


Pedreiras das "Ardósias Valério & Figueiredo, LDA" à vista


No sétimo passeio pela Rota dos Geossítios, são curiosamente sete geossítios que visito. E, ao longo da Rota do Xisto, deixo dicas de paragem e de desvio em alguns pontos para que a jornada de hoje seja mais do que uma caminhada. Uma rota iniciada a pé junto da Igreja de Canelas com o Museu das Trilobites como primeiro ponto de alcance.

A 50 metros do Museu das Trilobites


Ainda a 50 metros do Museu das Trilobites


Mesas de ardósia convidativas para um lanche ou almoço


"Visite e conheça uma página importante do passado da terra"


Atingido o Centro de Interpretação Geológica de Canelas (CIGC), faz-se uma primeira paragem com a finalidade de visitar o museu. Aqui, está exposta a colecção de fósseis tida como vigésimo quinto geossítio (G25) de Arouca. Uma paragem obrigatória complementada por um desvio que consiste no abandono momentâneo dos trilhos do xisto para desvendar traços da Rota do Paleozóico.

Entrada do Centro de Interpretação Geológica de Canelas


Filme sobre as Trilobites de Canelas exibido, pela primeira vez 
no dia 3 de Dezembro, a propósito do 10º aniversário do museu


Museu das Trilobites surge de uma iniciativa privada e
está situado junto da ""Pedreira do Valério". Na foto, 
Manuel Valério que é proprietário da empresa 
"Ardósias Valério & Figueiredo, Lda". 


Na visita guiada à colecção de fósseis do CIG de Canelas (G25)


A Rota do Paleozóico é um percurso existente nas imediações do CIGC que complementa a visita ao museu, acrescentando um pouco mais à "página importante do passado da Terra" (lê-se numa placa de lousa referente ao museu dos fósseis). Isto porque esta rota põe a descoberto quatro geossítios numa só cartada. E, com a ajuda de um GPS, a procura tem início.

Diamicititos glaciomarinhos fino-orvícicos (G26)


O G26 assinalado por uma bandeira de Portugal


Afloramento do Silúrico inferior (G27)


G27 (foto de pormenor)


Começo pelos Diamicititos glaciomarinhos fino-orvícicos (G26). Um fenómeno geológico cuja localização não passa despercebida a quem passa na estrada que liga Arouca a Canelas (R326-1). O monte onde é possível encontrar vestígios da glaciação ordovícica está assinalado (no topo) com uma bandeira portuguesa. O vermelho e o verde atraem o olhar dos curiosos.

A explorar o Conglomerado do Carbónico (G28)


Conglomerado do Carbónico (G28)


Junto de exemplares do G28


Junto da mina romana da Gralheira d' Água


Bem perto dos vestígios de Glaciação Ordovícica (G26), passo para o Afloramento do Silúrico inferior. O vigésimo sétimo geossítio (G27) que, segundo informações do Arouca Geopark, "traduz-se por um afloramento de ftanitos muitos físseis onde é possível encontrar e observar uma fauna graptolítica do Telychiano com cerca de 439 milhões de anos."

Crista quartzítica da Gralheira d' Água (G29)


Junto do miradouro da Gralheira d' Água


Panorâmica da Gralheira d' Água


No miradouro da Gralheira d' Água


Já junto do Conglomerado do Carbónico (G28) é possível perceber que trata-se de um conjunto de pedras acinzentadas com vários irregularidades (ver acima imagens). E, mais umas pegadas, atinge-se a Crista quartzítica da Gralheira d' Água (G29). Esta gralheira corresponde a um relevo residual de quartzito que preserva diversas marcas de fósseis que são chamadas de icnofósseis.

Regresso ao Museu das Trilobites e à Rota do Xisto


Vestígios do incêndio de Agosto


Trilho florestal da Rota do Xisto


Panorâmica magnífica sobre Canelas


Na Gralheira d' Água, é ainda possível visitar uma mina romana ("fojo") e alcançar uma panorâmica ampla sobre a "Pedreira do Valério" e outros pontos destacados no site do Arouca Geopark. "Realça-se a Noroeste o Porto, a Norte Entre-os-Rios e Penafiel, a Nordeste Canelas e a serra de Montemuro, a Este as serras de S. Macário e de S. Pedro do Sul e a Sul as serras da Arada e da Freita."

A Rota do Xisto é composta por trilhos florestais e rurais


Na Rota do Xisto


À procura dos Icnofósseis da área de Vilarinho (G34 )


Lugar de Vilarinho


Terminada a aventura pela Rota do Paleozóico, regresso ao Museu das Trilobites e aos trilhos da Rota do Xisto. E, daqui, rumo para o lugar de Vilarinho onde nos arredores  (a oeste) é possível encontrar os Icnofósseis desta área (G34). Segundo o Arouca Geopark, estes "afloramentos são resultado da deposição em meio marinho pouco profundo de areias, preservando inúmeras marcas de atividade de seres vivos".

Perto do lugar de Vilarinho


Arouca a renascer das cinzas


No lugar de Vilarinho


1.5 km de Vilarinho até ao miradouro da Cascata das Aguieiras


Depois da procura pelos vestígios do G34, os trilhos da Rota do Xisto conduzem os caminheiros até Vilarinho. Faz-se a travessia do lugar e já na saída do mesmo vê-se uma placa de orientação da rota que indica 1.5 km para alcançar o miradouro da Cascata das Aguieiras (G35). Uma perspectiva incrível de um geossítio já apresentado pelo Pé ante pé em Geossítios e Passadiços do Paiva  

A 100 metros do miradouro da Cascata das Aguieiras (G35)


Escadaria zig-zag dos Passadiços do Paiva


Ribeira de Alvarenga


No miradouro da Cascata das Aguieiras (G35)


O miradouro da Cascata das Aguieiras (G35) merece uma paragem alongada para apreciar o encanto da paisagem. A ribeira de Alvarenga precipita-se sobre o rio Paiva, dando uma beleza enorme à encosta montanhosa que está de frente para os Passadiços do Paiva. Uma estrutura de madeira que veio condicionar alguns trilhos da Rota do Xisto.

Junto de uma boca de uma mina


Arouca a renascer das cinzas


A 100 metros da Mina do Pereiro


No interior da Mina do Pereiro


Os Passadiços do Paiva são inaugurados a 20 de Junho de 2015 e, desde logo, começam a ser uma atenção turística forte. Uma novidade bem acolhida que veio condicionar os trilhos da Rota do Xisto na zona da Praia do Vau (G30) e arredores. E digo condicionar pois alguns acessos sofreram alterações com as obras e, agora, a sinalização é escassa entre a Mina do Pereiro e o Vau.

Passagem pelos Passadiços do Paiva


Ponte suspensa dos Passadiços do Paiva


Na ponte suspensa dos Passadiços do Paiva


Igreja Matriz de Canelas


Hoje, uma caminhada pelo passado de Arouca onde visito as trilobites gigantes de Canelas. Fósseis únicos em todo Mundo pela dimensão que apresentam e que, juntamente com as Pedras Parideiras da Castanheira (Freita), têm uma enorme relevância. Atraem muitos curiosos e, no meu caso particular, espero atrair-vos para o próximo e último passeio pela Rota dos Geossítios.

Aventurem-se e bons passeios!

Um até já,

TS



* Fotografias de Outubro, Novembro e Dezembro de 2016

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Caminhos de Ferreira de Castro

«Cortado pelo rio Caima, debruado de amieiros e de salgueiros, o Vale de Ossela é uma série de rincões edénicos, onde a Natureza veste as suas melhores galas, despretensiosamente, como se o fizesse por simples hábito... Torna-se, porém, necessário trilhar ínvios caminhos para surpreender todo o encanto da terra doce, que parece contemplar-nos com uma meiguice sonhadora, numa ternura que não se esquece.» Ferreira de Castro, Guia de Portugal, Beira Litoral

Grupo de participantes da caminhada de Natal da Villa Cesari
4 de Dezembro de 2016


É com um excerto da obra de Ferreira de Castro que inicio a primeira publicação de Dezembro. O Pé ante pé esteve na caminhada de Natal da Villa Cesari - Associação de Cultura e Desporto de Cesar - e, hoje, dá a conhecer a terra natal do conceituado escritor oliveirense. Um roteiro literário complementado com uma visita à Casa-Museu de Ossela, em Oliveira de Azeméis.

Casa-Museu do escritor Ferreira de Castro


"Nesta casa nasceu em 24 de Maio de 1898 o grande escritor
Ferreira de Castro cuja obra de amor pela Humanidade
obteve protecção mundial."


Lagar da Casa-Museu de Ferreira de Castro


Utensílios de cozinha onde é evidente o desgaste das peças


O quarto onde nasceu Ferreira de Castro


Realizada a inscrição e chegado o dia, os participantes marcam presença às 8.30h na sede da Villa Cesari que situa-se junto da Igreja Matriz de Cesar. Aqui, adquirem uma garrafa de água e barra de cereais para consumir durante a manhã. E, estando tudo a postos, todos seguem numa fila de carros para uma outra freguesia de Oliveira de Azeméis. Ossela é o destino do dia 4 de Dezembro.


O quarto de Ferreira de Castro


Registada a passagem pela Casa-Museu
#Péantepé #ondehapegadas


Início da caminhada


Os "caminhos de Ferreira de Castro" estão distribuídos por
diversas estações que apresentam a terra natal do escritor


Caminheiros e ciclistas a percorrer os mesmos trilhos


Em Ossela, o objectivo é percorrer os "Caminhos de Ferreira de Castro". Mas, antes de dar corda à sola das sapatilhas, primeiro  é-nos dada a oportunidade de conhecer o exterior e o interior da Casa-Museu de Ferreira de Castro. Transformada em museu, a casa onde nasceu o escritor oliveirense tem um lagar, uma cozinha, uma sala e dois quartos cujas paredes e adereços guardam histórias.

Participantes em fila na caminhada de Natal da Villa Cesari


Os "caminhos de Ferreira de Castro" são compostos por
trilhos tradicionais e rurais


Ponte pedonal sobre o rio Caima
  

Travessia do rio Caima


A caminhar junto da margem esquerda do rio Caima


Os "caminhos de Ferreira de Castro" estão assinalados por diversas estações que percorrem os trilhos da terra natal do escritor oliveirense. E uma estação que não passa despercebida aos caminheiros é a travessia do rio Caima e área envolvente. Feita através de uma ponte pedonal, a travessia é hoje de fácil acesso pois na época do escritor constituía um perigo (via pedras e tábuas).

Algumas das participantes da caminhada


Área de lazer junto do rio Caima 


Antiga Igreja de Ossela


Interior da "Igreja Velha" de Ossela


Ainda na "Igreja Velha"


A poucos metros da área de lazer do rio Caima, a antiga Igreja Matriz onde o presidente da Junta de Freguesia de Ossela oferece um lanche aos caminheiros. E, de seguida, dá a conhecer o interior da "Igreja Velha". Nesta estação do roteiro literário, Ferreira de Castro foi baptizado a 6 de Junho de 1898. E, a 18 de Junho de 1909, fez a primeira comunhão.

Cores de Outono destacam-se na caminhada
de Natal de Villa Cesari


Travessia de um pequeno carreiro rural


Marca orientadora dos "caminhos de Ferreira de Castro"


A poucos passos de terminar a caminhada 


'Cúmplice' do Pé ante pé na segunda travessia sobre o Caima


Deixada a "Igreja Velha" e as suas histórias, a caminhada é retomada com mais estações decoradas pelas cores de Outono. Uma segunda travessia do rio Caima via uma outra ponte pedonal. Um outro encanto a somar aos inúmeros que, ao longo de cerca de 10 km e duas horas de duração, pedem-nos para regressar a Ossela para uma nova aventura.

Aventurem-se e boas caminhadas!

Um até já,

TS


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Rota dos Geossítios VI

O sexto passeio pela Rota dos Geossítios desenvolve-se em determinadas partes do território da união das freguesias de Covelo de Paivó e Janarde. O Pé ante pé começa a jornada de hoje no Portal do Inferno e Garra (G23) e, daqui, segue para o complexo mineiro da Poça da Cadela (Regoufe). Meitriz, Janarde e Mourinha são os locais das últimas paragens.

Sexto passeio pela Rota dos Geossítios


O passeio de hoje começa com uma passagem pelo Portal do Inferno e Garra. Situado a cerca de 1000 metros de altitude, o vigésimo terceiro geossítio (G23) de Arouca está classificado com um elevado nível de interesse turístico devido a sua panorâmica. Quem passa por este local de passagem estreita do planalto da Arada fica tanto com o sentimento de medo como de satisfação.

Portal do Inferno e Garra (G23)
Janeiro de 2016


O G23 está envolvido pelo afluente da ribeira de Covas do Monte
  (a Este) e pelo afluente da ribeira de Palhais (a Oeste)
Janeiro de 2016


O Portal do Inferno e Garra também integra a Rota
da Água e da Pedra (Montanhas Mágicas)
Janeiro de 2016


Se, por um lado, o Portal do Inferno é um local muito íngreme que amedronta as pessoas que por lá passam. Por outro lado, lança 'a sua garra' que permite o alcance de uma vista magnífica. O mesmo é dizer que, uma vez que a montanha é cortada por diversas linhas de água profundas, o G23 faz lembrar a separação de dedos de uma garra de uma ave.

Aldeia de Covas do Monte (S. Pedro do Sul) avistada do G23
Janeiro de 2016


A aldeia de Covas do Monte é uma Aldeia de Portugal
Janeiro de 2016


Na chegada a Regoufe...
Agosto de 2015


Depois do Portal do Inferno, o Complexo Mineiro da Poça da Cadela (G22) é o próximo destino. Localizado na parte superior da aldeia de Regoufe, este complexo fica para a história pela exploração de volfrâmio. As ruínas da central de exploração do minério que vemos hoje davam, aquando a II Grande Guerra (1939-1945), trabalho a muitos locais e forasteiros.

... é possível estacionar o carro junto das minas de Regoufe
Agosto de 2015


Complexo Mineiro da Poça da Cadela (G22)
Agosto de 2015


A aldeia de Meitriz é o próximo local de passagem
Janeiro de 2016


Realizada a visita às Minas de Regoufe (G22), é a altura certa para partir à descoberta dos Icnofósseis da área de Meitriz (G21). À chegada a aldeia de Meitriz, o GPS indica que há que atravessar a ponte sobre o rio Paiva junto da praia fluvial local. Mas, já fora do núcleo habitacional, o local indicado é de difícil acesso. E, uma vez sem resultados, a alternativa é partir para Janarde.

Aldeia de Meitriz
Janeiro de 2013



A Rota das Tormentas (PR 5) dá a conhecer as aldeias de
Janarde, Meitriz, Cortegaça e Silveiras
Abril de 2016


Meandros do Paiva (G20)
Abril de 2016


É do ponto alto do núcleo habitacional de Janarde que é possível avistar os Meandros do Paiva (G20) Os meandros são compostos "por duas grandes sinuosidades no curso do rio Paiva". Mas, segundo informações do site do Arouca Geopark, estes são "falsos meandros" pois os verdadeiros "apenas se formam em resultado exclusivo da dinâmica fluvial nas secções terminais dos rios".

É possível observar o G20 durante a parte inicial da PR 5
Abril de 2016


Aldeia de Janarde
Abril de 2016


Rubrica "Eu com o Pé ante pé"... em Janarde
Abril de 2016


Próximos dos Meandros do Paiva, estão os Conheiros de Janarde (G19) na margem direita do rio Paiva. Estes conheiros consistem em "amontoados de seixos e calhaus rolados" provenientes de "uma antiga exploração de ouro aluvionar", lê-se no site do Arouca Geopark. Acresce que este geossítio "testemunha a lavra a céu aberto nas margens do Paiva".

Conheiros de Janarde (G20)
Abril de 2016


Outra perspectiva dos Conheiros de Janarde
Abril de 2016


AVENTUREM-SE!
Abril de 2016


Agora, é tempo de partir em busca da Livraria do Paiva (G18) e dos Icnofósseis da área de Mourinha (G17). Uma tarefa que torna-se impossível devido à falta de acessos. Mas fica a explicação. A 'livraria' ergue-se sobre a ribeira de Mourinha (afluente do Paiva) e trata-se de estratos quartzíticos expostos na vertical semelhantes às lombadas dos livros quando dispostos numa estante.

Rio Paiva
Abril de 2016


Aldeia de Janarde com vista sobre o Paiva
Abril de 2016


À procura dos fenómenos geológicos de Arouca
Janeiro de 2016


A terminar e de acordo com informações do site do Arouca Geopark, os Icnofósseis da área de Mourinha (G17) "ocorrem em afloramentos" onde "destacam-se diversas superfícies de estratificação, bastante verticalizadas onde são facilmente observáveis inúmeros e diversificados icnofósseis". E, concluído o passeio de hoje, parto para o próximo que tem lugar em Canelas.

Aventurem-se e bons passeios!

Um até já,

TS